quarta-feira , 28 junho 2017

Cavando Poços na Crise

Um Estudo na Vida do Patriarca Isaque

Texto Bíblico: Gn 26.1-33

( Rev. Dionildo Dantas)

A Bíblia enumera muitos fatos da vida de fé desse patriarca e um dos fatos mais marcantes descreve a forma como se comportou em uma grave crise na sua vida. Pressionado pela situação ele ora acertou ora errou e, mesmo assim ,conseguiu cavar poços na crise e vencer as dificuldades alcançando a prosperidade. A vida de Isaque e a forma como encarou suas crises trazem lições preciosas para as nossas vidas.

I. NA CRISE DEVEMOS SEGUIR A ORIENTAÇÃO DE DEUS – V. 1-6

1. Somos desafiados a lutar pela própria sobrevivência – v. 1. A fome assolava a terra. Era tempo de escassez, de desemprego, de contenção drástica de despesas, de recessão. Isaque não ficou lamentando, ele saiu, procurou agir. Hoje vivemos diversos dramas que nos têm conduzido a muitas crises. O medo do futuro apavora as famílias. Precisamos enfrentar esse desafio.

2. Na crise não podemos buscar atalhos – v. 2. Isaque foi tentado a descer ao Egito, lugar de fartura e riquezas fáceis. Queremos soluções rápidas, fáceis e sem dor. Mas Deus disse a ele: “Não desças ao Egito”. Cuidado para não transigir com os valores de Deus na hora da crise. Cuidado para não tapar os ouvidos à voz de Deus na hora da crise. Desista das vantagens imediatas por bênçãos mais invisíveis (v. 3) e remotas (v. 4). Desista dos seus planos e siga o projeto de Deus. O caminho do Senhor sempre será melhor.

3. Na crise, precisamos tomar posse das promessas de Deus – v. 3-5. Deus disse para Isaque: não fuja, fique! Floresça onde você está plantado. Não corra dos problemas, enfrente-os. Vença-os. O seu futuro está nas mãos de Deus. Não deixe a ansiedade estrangular você. Deus acalmou o coração de Isaque e lhe disse: Calma! Eu estou contigo. Calma! Eu tomo conta da sua descendência. Calma! Seu futuro está em minhas mãos e não acabado pelo terremoto das circunstâncias. Calma! Eu vou fazer de você e da sua descendência uma bênção para o mundo todo. A causa da nossa vitória não é ausência de problemas, mas a presença de Deus nos garantindo a vitória.

4. Na crise, precisamos obedecer sem questionar – v. 6. Deus tinha duas ordens para Isaque: Não desças ao Egito (v. 2) e fique na terra de Gerar (v. 2,6). Isaque não discutiu, não questionou, não racionalizou, não duvidou. Isaque obedeceu prontamente, pacientemente. O caminho da obediência é o caminho da bênção. Na crise não fuja de Deus, obedeça a Deus!

II. NA CRISE NÃO DEVEMOS MENTIR – V. 7-11

1. A mentira é perigosa e maligna – v. 7. Isaque mentiu para salvar a sua pele e para colocar a sua mulher na maior de todas as encrencas. Ele demonstrou que amava mais a si do que a esposa. Ele estava preocupado com a sua segurança e não com os sentimentos da sua mulher. Ele negou o mais sagrado dos relacionamentos: a união conjugal. Ele foi covarde na hora que precisava ser mais corajoso. Quantos cônjuges egoístas e mesquinhos são hoje causas de crise no casamento por causa de mentiras. A mentira contada (v. 7) tornou-se mentira descoberta (v. 8-9). A mentira descoberta tornou-se mentira reprovada (v. 10-11).

2. A mentira produz incoerências – v. 8-11. As carícias na intimidade eram uma contradição da negação do compromisso em público. Isaque só era marido dentro de casa. Fora dos portões, não tinha coragem de assumir a sua mulher. Isso certamente feriu o coração de Rebeca.

3. A mentira gera pecados graves. Isaque cometeu três pecados graves: Mentira, Egoísmo e Medo. Não deixe que a crise financeira ou qualquer outro problema familiar fragilize o seu relacionamento conjugal. A crise deve ser um tempo de aproximação do casal e não de instabilidade. Hoje muitos casamentos acabam em divórcio. Há cônjuges infelizes e tristes por causa do pecado e da mentira. A sua família é o seu maior patrimônio. Nenhum sucesso compensa o fracasso da sua família.

III. NA CRISE DEVEMOS VENCER O PESSIMISMO E VIVER A FÉ – V. 12-14

1. Semear na sua terra, ainda que todos duvidem – v. 12. Muitos podiam dizer: o lugar é deserto. Aqui não chove. A terra é seca. Aqui não há água. Não vai dar certo. Outros já tentaram e fracassaram. Não tem jeito, jamais vamos sair dessa crise. Isaque se recusou a aceitar a decretação do fracasso em sua vida. Ele desafiou o tempo, as previsões, os prognósticos, a lógica: “Semeou Isaque naquela terra”. Meu conselho pastoral é que você deve: semear na sua terra. Semear no seu casamento. Semear nos seus filhos. Semear no seu trabalho. Semear na igreja. Não importa se hoje o cenário é de um deserto. Vamos lançar a rede em nome de Jesus. Lançar o pão sobre as águas. Andar pela fé. Semear no seu deserto. Deus faz o deserto florescer.

2. Torne-se um especialista em derrotar crises, não se acomode – v. 18-22. Isaque começou a cavar poços. Cavou sete poços. Ele se especializou no que fazia. Ele buscou um milagre, mas estava pronto a suar a camisa. Quem quer passar no vestibular, estuda com afinco. Quem quer passar no concurso, estuda com seriedade. Quem busca um emprego, sai de casa cedo. Quem quer ser próspero, não fica deitado de papo para o ar. Isaque foi à luta. Ele se especializou no que fazia: cavar poços no deserto. Ele prosperou quando todo mundo estava reclamando da crise e da fome.

3. Faça a sua parte e espere o sobrenatural de Deus – v. 12-14. Isaque colheu muito no deserto, na seca (v. 12). “Enriqueceu-se o homem, prosperou, ficou riquíssimo” (v. 13). Tornou-se próspero (v. 14). A razão? Porque o Senhor o abençoava (v. 12b).  A intervenção sobrenatural de Deus não anula a ação natural do homem: Isaque experimentou o milagre de Deus na crise. Mas Isaque não prosperou na passividade. Ele cavou poços. Ele plantou. Ele investiu. Ele trabalhou. Ele foi um empreendedor. Há uma profunda conexão entre a dolência humana e a bênção de Deus, entre trabalho e prosperidade (Pv 10:4; 13:4; 28:19).

IV. NA CRISE DEVEMOS PROTEGER O CORAÇÃO DA AMARGURA EM VEZ DE BRIGAR PELOS  DIREITOS – V. 14b-21

1. Esteja no controle dos seus sentimentos, sua paz de espírito é melhor do que a riqueza. Isaque enfrentou: a) a inveja dos filisteus (v. 14); b) a suspeição e rejeição de Abimeleque (v. 16) e c) a contenda dos pastores de Gerar (v. 20,21). As pessoas normalmente não se alegram quando você prospera. Inveja, rejeição e contenda são tensões que você precisa enfrentar. Como Isaque enfrentou tudo isso? Com paciência. Quando Abimeleque o mandou sair, ele saiu. Quando os filisteus encheram os seus poços de entulho, ele saiu e abriu outros poços. Quando os pastores de Gerar contenderam para tomar os dois poços novos, ele não discutiu, foi para frente para abrir o terceiro poço. Isaque nos ensina que é melhor sofrer o dano do que entrar numa briga buscando os nossos direitos. É impossível ser verdadeiramente próspero sem exercitar o perdão. Quem guarda mágoa, e passa por cima dos outros, quem atropela os outros e fere as pessoas não tem paz.

2. Quando você teme a Deus, ele reconcilia com você os seus inimigos – v. 26-33. Abimeleque o expulsou, mas depois o procurou, pediu perdão e reconheceu que ele era “o abençoado do Senhor” (v. 29) e Isaque o perdoou.

V. NA CRISE USE AS FÓRMULAS ANTIGAS MAS BUSQUE NOVAS POSSIBILIDADES EM VEZ DE SE ACOMODAR – V. 18-22, 25,32

1. Isaque reabriu os poços antigos de seu pai – v. 18. Isaque aprendeu com a experiência dos mais velhos. Ele reabriu as fontes de vida que abasteceram os seus pais. Precisamos redescobrir as fontes de vida que nossos pais beberam e que foram entulhadas pela corrupção dos tempos. Precisamos cavar esses poços outra vez. Lá tem água boa. Lá têm mananciais. Precisamos voltar a reunir a família em torno da Palavra. Precisamos orar juntos. Precisamos voltar a fazer o culto doméstico. Precisamos voltar às antigas veredas em vez de ficar flertando as novidades do modernismo teológico. O casamento precisa dos papéis do homem e da mulher conforme a Palavra de Deus ordena. Não estamos precisando de novidades, de correr atrás de cisternas rotas. Precisamos do Antigo Evangelho.

2. Isaque abriu novos poços, mostrando que não se contentava com as experiências do passado, ele queria mais – v. 19-22, 32. Ele era um homem empreendedor. Ele queria mais. Precisamos aspirar mais do que os nossos pais aspiraram. Precisamos avançar mais do que eles avançaram. Os melhores dias não ficaram para trás, estão pela frente. Nada de saudosismo. Não podemos deixar que as experiências do passado sejam o limite máximo das nossas buscas. Não podemos jogar o passado fora nem idolatrá-lo. A história é dinâmica. Devemos aprender com o passado, viver no presente, com os olhos no futuro. Isaque saiu da terra dos filisteus, foi para o vale de Gerar, depois para Reobote, depois para Berseba. Mas aonde foi, foi cavando poços. Ele queria água no deserto. Berseba antes era um deserto, agora era uma cidade, porque Isaque achou água ali.

3. Isaque tirou os entulhos dos filisteus para que a água pudesse jorrar – v. 18. Ele compreendeu uma verdade sublime: havia água nos poços. Mas ela não podia ser aproveitada. Primeiro era preciso tirar o entulho dos filisteus. Deus tem para nós fontes, rios de água viva. Nós não os recebemos porque há entulho para ser tirado. Antes de sermos cheios do Espírito de Deus, precisamos tirar o entulho do pecado.

Isaque não era apenas um homem próspero, era também um homem piedoso – (v. 24-25). Ele levantava altares no seu trabalho. Ele levava Deus para o seu trabalho e trazia o seu trabalho para Deus. Tudo que você faz na vida precisa ser um ato litúrgico. Você precisa trafegar da igreja para o trabalho com a mesma devoção. Sua segunda-feira precisa ser igual ao culto de domingo. Se a crise chegou, você é um forte candidato a um extraordinário milagre de Deus. Vamos cavar poços e vencer essa crise em nome de Jesus!

Rev. Dionildo Dantas, Th D dionildodantas@terra.com.br

Sobre Pr. Valtair Freitas

é pastor, ministro da Igreja Assembleia de Deus, conferencista, bacharel em teologia, residente em Boston (USA) desde 1997

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