quarta-feira , 23 agosto 2017

Deus não é Deus de mortos e sim de vivos




Há dois textos na Bíblia Sagrada que parecem não harmonizar-se. Se deveras eles emitem pensamentos diferentes, logo a Bíblia Sagrada é passiva de contradições. Vejamos os textos e vamos tentar analisá-los para ver se realmente eles se contradizem:

O primeiro texto encontra-se em Mateus 22. 31,32: “E, quanto à ressurreição dos mortos, não lestes o que foi dito por Deus: Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó? Ora, ele não é Deus de mortos, mas de vivos”. Esse texto é repetido  em Marcos 12. 26,27 e Lucas 20. 37,38.

Agora vejamos o segundo texto registrado em Romanos 14.9:

“Porque foi para isto mesmo que Cristo morreu e tornou a viver, para ser Senhor tanto de mortos como de vivos”.

Para entendermos este assunto devemos buscar a argumentação bíblica a respeito disso. Aqui vale um princípio da hermenêutica bíblia: quem falou, para quem falou, quando falou e porque falou.

No primeiro caso quem fala é Jesus. Ele estava no Templo em Jerusalém e os fariseus e herodianos foram enviados para tentar arrancar alguma palavra da boca de Jesus que o pudesse comprometer diante das autoridades religiosa e civil. O assunto começou em torno do Tributo e Jesus os surpreende com sua resposta: “Dai, pois, a César o que é de César e a Deus, o que é de Deus” Mt 22.21.

Em seguida chegam os saduceus, aqueles que não acreditavam na ressurreição. Eles quiseram testar a Jesus com suas perguntas maliciosas. Então eles citam um caso em que uma mulher foi casada e seu marido morreu sem lhe deixar filho, ela casou-se então com o cunhado e aconteceu a mesma coisa. Desta forma a mulher casou-se com os sete irmãos e todos faleceram. Por fim a mulher também faleceu. A questão era: Na ressurreição, com qual dos sete irmãos ela ficaria? É claro que queriam confundir a Jesus. Então Jesus lhes assegura os que morrem e passam para a outra vida, não estão mortos diante de Deus e sim vivos para Deus. Isto Jesus disse para esclarecer-lhes a respeito da ressurreição, pois cressem ou não, a ressurreição é uma realidade.

No segundo caso, quem fala é o apóstolo Paulo. O apóstolo escreve para os cristãos romanos que estavam divididos entre si a respeito de várias coisas tais como, deveriam comer só legumes, outros comiam de tudo, outros dividiam-se quanto a dias especiais de festas, etc. O esclarecimento de Paulo é que tudo o que fizermos deve ser feito para o Senhor, “pois nenhum de nós vive para si mesmo e nenhum morre para si. Porque, se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos” Rm 14. 7,8).

Então Paulo conclui dizendo que Cristo morreu e ressuscitou para ser Senhor tanto dos mortos como dos vivos. É claro que Paulo está se referindo aos irmãos que já haviam morrido e dos irmãos que ainda estavam vivos.

Partindo deste princípio de interpretação, então como conciliar as duas referências, haja visto parecem dizer exatamente o contrário? Estaria Paulo contradizendo a Cristo? Penso que não. Vamos então ao cerne da questão.

Ao tratar-se da morte (vamos falar apenas da morte dos salvos) devemos levar em consideração três posições distintas e muito elementares, partindo de uma pergunta: Para quem estão mortos?

1ª) Como vê Deus a morte,

2ª) Como veem os mortos a morte, e

3ª) Como nós, os vivos, vemos a morte.

Então, quando formos falar dos mortos, devemos questionar sobre qual perspectiva. Dá nossa, dá de Deus, ou se a dos próprios mortos.  É tudo uma questão sobre a forma de vermos o tempo. Nós vivemos num mundo físico.

Se falarmos dentro da perspectiva de Deus devemos considerar que Deus não é limitado ao tempo. Portanto, para Ele não há morte e nem mortos. Todos estão vivos perante seus olhos. “(como está escrito: Por pai de muitas nações te constituí) perante aquele no qual creu, a saber, Deus, que vivifica os mortos, e chama as coisas que não são, como se já fossem” (Rm 4.17).

Se falarmos dentro da perspectiva dos próprios mortos devemos considerar que os mortos não estão mortos para eles próprios por terem passado da morte para a vida. Eles não estão mortos para Deus, que é o Alfa e o Ômega, que sabe o fim desde princípio, liberto da Sua criação do espaço e do tempo. Portanto, Deus tem tido contato permanente com os Seus filhos, até mesmo através dos portões da morte física. Para Ele não estão mortos.

Agora só resta-nos uma posição. Se eles não estão mortos para Deus, que é o Deus dos vivos e não dos mortos, nem estão mortos para si próprios porque passaram para a outra vida, para quem estão mortos então?

Bom, eles estão mortos para nós, os que estamos vivos. Ainda estamos “presos” à corrente do tempo. Para nós, estão mortos, porque foram removidos do espaço – tempo. Agora não podem ser encontrados neste universo físico.

Não é coerente e nem bíblico buscar um respaldo para termos contato com nossos irmãos mortos, baseados no texto de Mateus 22.32 que diz que “Deus é Deus de vivos e não de mortos”. Esta é a maneira de Deus enxergar as coisas. Não a nossa. “De sorte que, ou vivamos ou morramos, somos do Senhor” (Rm 14.8).

Daniel, Ezequiel, Abraão, Paulo, João e todos os demais mortos que morreram salvos, continuam vivos para Deus, porém continuam mortos para nós que ainda estamos vivos. Qualquer tentativa de fazê-los reviver “em nosso mundo” é uma heresia.

O argumento do apóstolo Paulo de que Cristo é Senhor tanto de mortos como de vivos é que não importa, para nós, se a pessoa morreu ou está viva, para o Senhor elas continuam vivas na eternidade, portanto para nós, vivos neste mundo, e para eles que já se foram Cristo é Senhor. Não há contradição nas palavras de Jesus e do apóstolo.

Comunicação entre vivos e mortos

O diálogo entre Abraão e o rico (da parábola do rico e Lázaro – Lc 16.19-31) não serve de apoio para os que querem falar com os mortos. Notem que aquele diálogo aconteceu quando todos os mortos, salvos e ímpios, ainda estavam no Hades. Apenas um abismo separava os dois grupos. Depois da Morte de Jesus, o Senhor levou os santos que estavam no Hades para o Paraíso, onde permanecem até hoje, aguardando o grande dia da ressurreição. Outro fato importante, os que conversavam eram os mortos e não vivos e mortos.

A transfiguração de Jesus tendo a seu lado Elias e Moisés (Mt 17.1-13) também não serve de base para apoiar esse contato com mortos. Ali, na transfiguração, Elias e Moisés não conversaram com Pedro, Tiago e nem com João. Eles apenas estavam representado a Lei e os Profetas anunciando que era o cumprimento deles e que o Senhor é maior do que a lei e os profetas. Isto se resume na voz de Deus, que se faz ouvir, dizendo: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo; escutai-o.” Notem que Deus manda que os discípulos ouçam a Jesus e não a Moisés e Elias. Os representantes do Antigo Testamento conversaram apenas com Jesus que estava transfigurado, e neste caso não havia nenhuma barreira entre eles, por isso os discípulos não puderam participar do diálogo por estarem sujeitos ao mundo físico, mas Deus lhes permitiu ouvir a conversa por um curto momento e logo em seguida não puderam contemplar mais ninguém senão somente a Jesus.

Nos Laços do Calvário,
Pr. Valtair Freitas




Há dois textos na Bíblia Sagrada que parecem não harmonizar-se. Se deveras eles emitem pensamentos diferentes, logo a Bíblia Sagrada é passiva de contradições. Vejamos os textos e vamos tentar analisá-los para ver se realmente eles se contradizem: O primeiro texto encontra-se em Mateus 22. 31,32: “E, quanto à ressurreição dos mortos, não lestes o que foi dito por Deus: Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó? Ora, ele não é Deus de mortos, mas de vivos”. Esse texto é repetido  em Marcos 12. 26,27 e Lucas 20. 37,38. Agora vejamos o segundo texto…

Review Overview

User Rating: Be the first one !
0

Sobre Pr. Valtair Freitas

Valtair Freitas é ministro do Evangelho, pastor da Assembléia de Deus em Boston onde reside desde 1997. É bachaerel em Teologia e Conferencista .

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Required fields are marked *

*

BIGTheme.net • Free Website Templates - Downlaod Full Themes