segunda-feira , 20 novembro 2017

Evangelho de Liquidação

Sabe aquelas mercadorias encalhadas que estão empoeiradas nas prateleiras ou vitrines das lojas, as que não foram vendidas por bom preço na temporada e agora vão parar na banca de liquidação? Os comerciantes costumam dar generosos descontos no preço destas mercadorias para se verem livres delas, pois elas na verdade, se continuarem no estoque, acabam representando grande prejuízo.

Essas mercadorias de liquidação geralmente enchem os olhos da freguesia, o comprador não está muito interessado na etiqueta do produto, ele quer é fazer um bom negócio, obter lucro, mesmo sabendo que não está adquirindo um bem durável.
Mas essas mercadorias baratas, geralmente não são boas. São fundo de estoque, são objetos sem valor substancial. Qualquer preço está de bom tamanho.

O Evangelho de Jesus Cristo ultimamente tem sido oferecido em muitas bancas de liquidação. Virou uma mercadoria barata que se encontra em qualquer esquina negociada por comerciantes que prometem inacreditáveis descontos aos interessados em adquirir seus produtos da fé.

Este evangelho promocional, certamente não é aquele ensinado por Jesus no Evangelho de João 16.33 (“Tenho-vos dito estas coisas, para que em mim tenhais paz. No mundo tereis aflições; mas tende bom ânimo, eu venci o mundo”).

Este evangelho de liquidação não pode ser o mesmo pregado pelo apóstolo Paulo, o qual dizia: “Transbordo de gozo em todas as nossas tribulações” – 2Co 7.4.

Absolutamente, o evangelho de liquidação não pode ser o mesmo dos apóstolos. Este baratinho encontrado facilmente e por bom preço não resiste às intempéries das provações e tribulações da vida cristã. O comprador é iludido pelo comerciante que lhe promete sucesso pleno em quaisquer circunstâncias, bastando apenas “comprar” o amuleto da fé.

A propaganda deste pseudo-evangelho promete que seus “clientes” não passarão por dificuldades financeiras, possuirão o melhor desta terra, riqueza e status farão parte do seu cotidiano. Asseguram que as enfermidades não atingem seus “fregueses”, doença é coisa de ímpio – dizem eles.

Dor e sofrimento não estão incluídos no pacote promocional da fé. É só alegria, gozo e felicidade. É satisfação garantida, só que sem devolução do dinheiro.

Quanta irracionalidade! Isso parece uma ficção, mas é a realidade do que está acontecendo no mundo religioso de hoje. Muitas promessas de prosperidade e possessões, basta apenas “decretar” a vitória que ela vem, sem se importar se o discípulo vive uma vida íntegra com Deus.

Hoje não existe mais aquela preocupação de agradar a Deus com uma vida santa, pois se precisamos de algum “milagre” é só ir no “supermercado da fé” e fazer uma campanha e dar uma boa oferta que a vitória será decretada pelo pastor, bispo, apóstolo, etc… Simples assim.

O que está sendo feito do Evangelho Genuíno? Onde está a sã doutrina dos apóstolos? Doutrina? Alguém leu a palavra “doutrina”? Mas será que algum crente hoje sabe o que significa a palavra doutrina? Ah, é melhor nem tocar nisso não é mesmo….

O apóstolo Paulo escreveu aos crentes da Galácia: “Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos pregasse outro evangelho além do que já vos pregamos, seja anátema.” – Gl 1.8.

Os filhos de Deus merecem o melhor, é claro, e como seria bom que o melhor desta terra fosse dado aos verdadeiros servos do Senhor, mas o que impressiona é a maneira que os mercadores da fé promovem as bênçãos de Deus sem nenhuma responsabilidade de vida santa. São promessas que a Bíblia não faz. A Bíblia nos ensina buscar em primeiro lugar o Reino de Deus para que então as bênçãos possam vir sobre nós. Não pode ser o contrário.

O Evangelho de Jesus Cristo não nos afugenta das lutas e provações, ele nos ensina como enfrentar esses temporais, nos encoraja e nos fortalece.
Paulo, o apóstolo, era um homem que sabia o que é sofrimento (2Co 11.24-27),
um homem capaz de cantar em situações adversas (At 16.25).
Um homem capaz de escrever na prisão uma carta cujo tema era alegria, (Fp 4.4) .
Era um homem que terminou seu ministério na prisão fazendo declarações de campeão, (2Tm 4.7).
Paulo via as tribulações como escola de Deus para lhe ensinar grandes lições. (Rm 5.2-5).

Tribulação para os mercenários evangélicos é coisa do Capeta. Crente não pode passar por tribulação senão ele não conhece Deus de verdade. Que lamentável (falta de) visão.

Proclamemos com virtude o Evangelho vivo do Senhor, deixemos de lado o evangelho de liquidação e atentemos para o que nos ensina a Palavra de Deus.

Termino este artigo com um versículo escrito pelo apóstolo Tiago –

“Bem aventurado o homem que suporta a provação; porque, depois de aprovado, receberá a coroa da vida, que o Senhor prometeu aos que o amam” – Tg 1.12.

Nos Laços do Calvário,
Pr. Valtair Freitas




Sabe aquelas mercadorias encalhadas que estão empoeiradas nas prateleiras ou vitrines das lojas, as que não foram vendidas por bom preço na temporada e agora vão parar na banca de liquidação? Os comerciantes costumam dar generosos descontos no preço destas mercadorias para se verem livres delas, pois elas na verdade, se continuarem no estoque, acabam representando grande prejuízo. Essas mercadorias de liquidação geralmente enchem os olhos da freguesia, o comprador não está muito interessado na etiqueta do produto, ele quer é fazer um bom negócio, obter lucro, mesmo sabendo que não está adquirindo um bem durável. Mas essas mercadorias baratas,…

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